a imprecisão dos legisladores sobre esse regime de bens é absurda !
Alienação de imóvel por cônjuge casado pela separação de bens
Agregador de comentários,notícias e notas sobre: política, PiG, Partidos, Observatório, Amenidades, Miscelânea, Almanaque, Fazendo Média, Mídia, Divulgação, Repiques, Cultura, Aviação, Tecnologia.
24/03/2016
07/03/2016
Tolerância e Diversidade por Tassia Regino
Nossa colaboradora Tassia Regino , nos envia esse e-mail comentando sobre a Tolerância e Diversidade, em um momento conturbado que passamos.
Polêmicas
com um texto da Fernanda Torres na semana passada, os episódios da política
nesta semana, a virulência na internet, se somam num contexto em que é evidente
que o mundo e o Brasil vivem um momento em que cada vez a tolerância e a
capacidade de conviver com a diferença são necessárias.
Por
isso, hoje o meu email de Boa Semana se utiliza de texto e vídeo de algumas
pessoas que escrevem, falam e cantam a diversidade e a tolerância prá
compartilhar com este meu grupo de amigos e pessoas queridas, que é tão diverso,
a minha preocupação e a renovação da minha disposição de ser cada vez mais uma
militante da
tolerância ativa e do
respeito às diferenças e da
valorização diversidade.
A inspiração positiva para tratar deste
assunto veio inicialmente de um vídeo muito legal que recebi esta semana de um
amigo, em que o Leandro Karnal, fala do conceito Tolerância Ativa. Segundo o
Dicionário Houaiss, tolerância é a “tendência a admitir, nos outros, maneiras de
pensar, de agir e de sentir diferentes ou mesmo diametralmente opostas às
nossas”. A tolerância ativa vai além disso e na definição do Karnal significa que se compreenda que a
diversidade é fundamental.
No vídeo ele reflete que “a não aceitação das diferenças faz do
mundo um lugar horrível” e lembra a frase falsamente atribuída
a Voltaire, que tem tudo a ver com o momento que passamos:"Eu discordo totalmente do que você diz, mas vou
defender até a morte seu direito de o continuar dizendo".
E
falando do assunto tolerância e diversidade, claro que eu não podia deixar de
lado a música linda que o meu conterrâneo Lenine fez, celebrando a diversidade,
que já começa lembrando que "foi pra diferenciar Que Deus criou a
diferença".
Eu já tinha decidido
fazer este email, mas ele foi reforçado por uma Peça maravilhosa que está em
cartaz aqui em São Paulo e fomos ver ontem. A peça é “O Topo da Montanha”, com
Lázaro Ramos e Taís Araújo e nela o último dia de vida do ativista Martin Luther
King, que morreu assassinado lutando pelos direitos civis dos negros, é
reinventado de um jeito muito criativo, e apesar de denso, a peça termina sendo
também divertida.Vendo a peça e o que a
intolerância já fez no passado, meu assunto se reforçou. E ouvindo Luther
King
também: “aprendemos a voar como
os pássaros e a nadar como os peixes, mas não aprendemos a conviver como
irmãos”.
Então prá celebrar a
diversidade e a tolerância, trago de início uma definição da UNESCO sobre
Tolerância, que gosto muito; depois a letra do Lenine e o link dele cantando a
Diversidade; e, por fim, o inspirador vídeo do Leandro Karnal. Procurei
muito um texto do Karnal com o mesmo conteúdo, mas não encontrei. Então,
abaixo do
link para o vídeo, reproduzo um texto de um Portal que fez uma compilação da
fala do Karnal (mas sem o mesmo brilhantismo do vídeo)
Espero que gostem, e
que o apanhado inspire uma semana com a celebração desta vida, que, como diz
Lenine é repleta e que tem “o toque de Deus, a vela no breu e a chama da
diferença”
Um
Abraço e boa semana
Tássia
________________________________________________________________________
TEXTO
DA UNESCO (A ONU institui o dia 16
de Novembro como O Dia Internacional para a Tolerância
)
“A tolerância, nem concessão
nem indulgência, se fundamenta no
respeito e na apreciação da riqueza e
da diversidade das nossas culturas, dos nossos modos de
expressão e das nossas maneiras de
exprimir a condição humana”.
_________________________________________________________
DIVERSIDADE
Lenine
Se
foi pra diferenciar
Que
Deus criou a diferença
Que
irá nos aproximar
Intuir
o que Ele pensa
Se
cada ser é só um
E
cada um com sua crença
Tudo
é raro, nada é comum
Diversidade
é a sentença
Que
seria do adeus
Sem
o retorno
Que
seria do nu
Sem
o adorno
Que
seria do sim
Sem
o talvez e o não
Que
seria de mim
Sem
a compreensão
(...)
A
humanidade caminha
Atropelando
os sinais
A
história vai repetindo
Os
erros que o homem traz
O
mundo segue girando
Carente
de amor e paz
Se
cada cabeça é um mundo
Cada
um é muito mais
Que
seria do caos
Sem
a paz
Que
seria da dor
Sem
o que lhe apraz
Que
seria do não
Sem
o talvez e o sim
Que
seria de mim...
O
que seria de nós
Que
a vida é repleta
E
o olhar do poeta
Percebe
na sua presença
O
toque de Deus
A
vela no breu
A
chama da
diferença
_____________________________________________________
02/02/2016
24/01/2016
Espalhar boatos pode lhe causar um problemão .
Mesmo admitindo o erro, lutador de MMA manteve tom agressivo contra o ex-presidente. "Eu tenho que assumir a minha ignorância, eu não sabia se era ou…
REVISTAFORUM.COM.BR
23/01/2016
Boatos
Confissões de um viciado em espalhar boatos, por Leonardo Sakamoto
10:27

Enviado por anarquista sério
Do blog do Sakamoto
Leonardo Sakamoto
Como eu comecei? Ah, sei lá, como todo mundo começa, né?
Um dia um amigo me apresentou o WhatsApp e mostrou como era legal ficar conectado e receber coisas engraçadas. Disse para eu experimentar.
No começo, falei que não, tinha medo daquilo. Mas quando vi que tava todo mundo usando, achei que ia acabar sendo excluído da galera, engoli o medo e passei a usar também.
Logo de cara, recebi um áudio sem fonte. Era um depoimento de um sargento do Exército alertando a população que um golpe estava para acontecer, que era para todo mundo estocar comida e ficar em casa. Me assustei com isso e fui para o supermercado, comprar coisas que não estragavam, como enlatados, salame, frutas secas. Mas o golpe não veio.
O que veio, logo depois, foi um texto dizendo que uma das testemunhas do escândalo de corrupção da Lava Jato havia sido envenenada e morta. A mensagem era bem clara: passe adiante se você ama seu país. E eu passei, afinal, aquilo era um absurdo! Dias depois, vi o mesmo homem rindo na TV, esbanjando saúde.
Ao invés de largar o WhatsApp depois desses episódios, aconteceu o contrário: fiquei viciado nele. Checava o telefone a cada minuto, instalei a versão para desktop, compartilhava tudo o que aparecia. Não prestava mais atenção nas aulas da universidade, pulava as refeições e até meu chefe reclamou que eu estava improdutivo e disperso.
Com o tempo, fui me entregando a coisas mais pesadas. Montei listas e mais listas com centenas de pessoas. Passava o dia postando tudo o que recebia. Gatinhos fofos faziam sucesso, mas os posts políticos iam mais longe. Fotos de filho do Lula com seu Boeing 747-300 banhado a outro? Postava. Fotos do Aécio vestido de panda em uma suruba multiétnica? Postava. Documentos e fotos incriminando qualquer pessoa mesmo sem provas de que eram verídicos? Postava, postava, postava.
A partir de um momento, não me preocupava mais com a realidade. Eu só queria ser lido, só estava feliz com a certeza de que alguém estava me compartilhando. Aquilo foi me consumindo por dentro. Se eu não tivesse memes, áudios, vídeos ou textos bons o suficiente para mandar, inventava histórias por conta própria. Criava boatos, estruturava fofocas, erguia polêmicas.
Então, um dia, fui procurado por um profissional que disse que estava de olho em mim há tempos, que meu trabalho era bom, mas ainda amador e me convidou a aprender e ganhar dinheiro com aquilo. Explicou que fazia parte de um coletivo que prestava “serviços'' para políticos e empresas para descontruir a imagem de outras pessoas. Ele me ofereceu uma montanha de dinheiro mas, para falar a verdade, nem precisaria. Eu teria topado de graça.
Saí do emprego, larguei a faculdade, deixei a casa de meus pais. Quanto mais ódio e raiva continham minhas mensagens, mas elas iam longe.
Difamei muito, injuriei horrores, caluniei sem dó. Eu estava tão absorvido naquilo que não pensava nas pessoas como seres humanos ou em qualquer injustiça que cometia. Sentia uma sensação de poder tão grande, um prazer gigantesco difícil de explicar. Não largava o celular nem para tomar banho, fazer cocô, transar.
Um dia, tive um orgasmo após um boato que eu havia inventado aparecer em uma matéria de jornal como prova do envolvimento de uma pessoa em um escândalo. Ele era inocente daquilo, mas devia ser culpado de algo. Todo mundo é.
Até que um dia, mandando um meme contra um político enquanto dirigia, atropelei uma criança. E fui pra cima do policial que me parou porque ele me fez perder a postagem. Com o golpe, desfaleci e acordei na cadeia. E, pior, desconectado.
Na cela da delegacia, tive uma crise de abstinência sem igual. Suava frio, sentia uma ansiedade louca, uma sensação de que o mundo estava acontecendo sem mim. Os outros presos ficaram com medo, pois eu teclava alucinadamente em um celular inexistente e gritava de satisfação a cada mensagem-fantasma enviada. Foram longas três horas.
Minha mãe chorou na frente do juiz. Disse que a culpa não era minha, mas do meu vício, do WhatsApp e jurou que eu era um bom garoto. Já o promotor não teve dó e mostrou centenas de postagens que eu tinha soltado, relatando como cada uma delas causou dor e sofrimento.
Estufei o peito na hora. Não senti remorso, mas um baita orgulho.
E pensei nas tantas outras postagens que havia feito, responsáveis por criar boatos que rodam até hoje e que ninguém nunca ficaria sabendo. Eles precisavam conhecer o verdadeiro responsável – eu e apenas eu. Interrompi meu advogado de defesa e desandei a falar de todas as minhas obras-primas e como era fácil manipular as pessoas.
Fui declarado mentalmente incapaz e passei seis meses numa clínica para desintoxicação. Percebi que estava no fundo do poço quando ofereci favores sexuais ao enfermeiro por 15 minutos lendo as listas dele.
Agora, estou limpo. WhatsApp, lista de mensagens, nunca mais pra mim.
Até ontem, quando um amigo me apresentou o Snapchat…
Isto é uma peça de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
19/12/2015
Os 11 princípios do ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels
Os 11 princípios do ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels
Qualquer semelhança com as práticas da mídia golpista brasileira é mera coincidência...

Conhece Joseph Goebbels, o violento ministro de propaganda de Hitler? Estes são os 11 princípios que levaram o povo alemão a tentar exterminar à humanidade:
1.- Princípio da simplificação e do inimigo único.
Simplifique não diversifique, escolha um inimigo por vez. Ignore o que os outros fazem concentre-se em um até acabar com ele.
2.-Princípio do contágio
Divulgue a capacidade de contágio que este inimigo tem. Colocar um antes perfeito e mostrar como o presente e o futuro estão sendo contaminados por este inimigo.
3.-Princípio da Transposição
Transladar todos os males sociais a este inimigo.
4.-Princípio da Exageração e desfiguração
Exagerar as más noticias até desfigurá-las transformando um delito em mil delitos criando assim um clima de profunda insegurança e temor. “O que nos acontecerá?”
5.-Princípio da Vulgarização
Transforma tudo numa coisa torpe e de má índole. As ações do inimigo são vulgares, ordinárias, fáceis de descobrir.
6.-Princípio da Orquestração
Fazer ressonar os boatos até se transformarem em notícias sendo estas replicadas pela “imprensa oficial’.
7.-Princípio da Renovação
Sempre há que bombardear com novas notícias (sobre o inimigo escolhido) para que o receptor não tenha tempo de pensar, pois está sufocado por elas.
8.-Princípio do Verossímil
Discutir a informação com diversas interpretações de especialistas, mas todas em contra do inimigo escolhido. O objetivo deste debate é que o receptor, não perceba que o assunto interpretado não é verdadeiro.
9.-Princípio do Silêncio.
Ocultar toda a informação que não seja conveniente.
10.-Princípio da Transferência
Potencializar um fato presente com um fato passado. Sempre que se noticia um fato se acresce com um fato que tenha acontecido antes
11.-Princípio de Unanimidade
Busca convergência em assuntos de interesse geral apoderando-se do sentimento produzido por estes e colocá-los em contra do inimigo escolhido.
Qualquer semelhança com as práticas do PIG é pura coincidência....
1.- Princípio da simplificação e do inimigo único.
Simplifique não diversifique, escolha um inimigo por vez. Ignore o que os outros fazem concentre-se em um até acabar com ele.
2.-Princípio do contágio
Divulgue a capacidade de contágio que este inimigo tem. Colocar um antes perfeito e mostrar como o presente e o futuro estão sendo contaminados por este inimigo.
3.-Princípio da Transposição
Transladar todos os males sociais a este inimigo.
4.-Princípio da Exageração e desfiguração
Exagerar as más noticias até desfigurá-las transformando um delito em mil delitos criando assim um clima de profunda insegurança e temor. “O que nos acontecerá?”
5.-Princípio da Vulgarização
Transforma tudo numa coisa torpe e de má índole. As ações do inimigo são vulgares, ordinárias, fáceis de descobrir.
6.-Princípio da Orquestração
Fazer ressonar os boatos até se transformarem em notícias sendo estas replicadas pela “imprensa oficial’.
7.-Princípio da Renovação
Sempre há que bombardear com novas notícias (sobre o inimigo escolhido) para que o receptor não tenha tempo de pensar, pois está sufocado por elas.
8.-Princípio do Verossímil
Discutir a informação com diversas interpretações de especialistas, mas todas em contra do inimigo escolhido. O objetivo deste debate é que o receptor, não perceba que o assunto interpretado não é verdadeiro.
9.-Princípio do Silêncio.
Ocultar toda a informação que não seja conveniente.
10.-Princípio da Transferência
Potencializar um fato presente com um fato passado. Sempre que se noticia um fato se acresce com um fato que tenha acontecido antes
11.-Princípio de Unanimidade
Busca convergência em assuntos de interesse geral apoderando-se do sentimento produzido por estes e colocá-los em contra do inimigo escolhido.
Qualquer semelhança com as práticas do PIG é pura coincidência....
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Pinçado da Carta Maior
25/10/2015
Raloim, só se for com carne seca !
Manifesto do Saci
Um espectro ronda a indústria da cultura. Como já ocorrera
durante a I Guerra Mundial – quando os chamados “ povos civilizados” se matavam
entre si nos campos da Europa, como lembra Monteiro Lobato em seu Inquérito,
escrito em 1917 –, o espectro do Saci voltou para dar nó na crina das potências
que invadem os outros países com uma “indústria cultural” predadora e
orquestrada.
O
Saci é reconhecido como uma força da resistência cultural a essa invasão. Na
figura simpática e travessa do insigne perneta, esbarram hoje, impotentes, os
x-men, os pokemon, os raloins e os jogos de guerra, como esbarravam ontem patos
assexuados e ratos com orelhas de canguru.
É
tempo, pois, do Saci expor abertamente seus objetivos, lançando um manifesto e
denunciando o verdadeiro espectro: o espectro do imperialismo cultural. Para
tanto, outros expoentes do imaginário cultural brasileiro – como o Boitatá, a
Iara, o Curupira e o Mapinguari – reuniram-se e redigiram o presente manifesto.
A
cultura popular é um elemento essencial à identidade de um povo. As tentativas
insidiosas de apagar do imaginário do povo brasileiro sua cultura, seus mitos,
suas lendas, representam a tentativa de destruir a identidade do nosso país. A
história de todas as culturas até hoje existentes é a história de opressores e
oprimidos. Hoje, como ontem, o Saci apóia, em qualquer lugar e em qualquer
tempo, qualquer iniciativa no sentido de contestar a arrogância, a prepotência
e a destruição de que é portadora a indústria cultural do império.
O
Saci não se reivindica como símbolo único e incontestável da cultura popular
brasileira. O Saci trabalha pela união e pelo entendimento das várias
iniciativas culturais que devolvam ao nosso povo a valorização de sua
identidade cultural. O Saci não dissimula suas opiniões e seus objetivos e
proclama, abertamente, que estes só podem ser alcançados por um amplo movimento
de resistência cultural, denunciando os malefícios da indústria cultural
imperialista. Que ela trema à idéia de uma resistência cultural popular. Nesta,
o Saci nada tem a perder a não ser seus grilhões. E tem um mundo a ganhar.
Sacis
de todo o Brasil, unamo-nos!
SOSACI
Manifesto Antropófago revisitado
Qualquer semelhança com o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, do ano de 1928, não se trata de mera coincidência!
Só o saci nos une. Sacialmente. Etnicamente. Culturalmente. No ano 449 da deglutição do Bispo Sardinha em Piratininga, e 75 anos após o lançamento do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, os saciólogos desta terra vão, aos pulos, convergindo em torno da única lei justa do mundo globalizado. O saci resgata nossa identidade, nossas raízes, o xis da questão tupi. Contra todas as catequeses do Império só nos interessa o que não é deles. A lei do saci.
Estamos fatigados de todos os colonialismos travestidos de drama roliudiano. O cinema americano devorando corações e mentes. Demente. No país onde dá status ter casa em Maiami e comprar em sales com 20% off. Estacionar no valet parking e pedir comida delivery. Por isso fazemos eco ao brado oswaldiano, contra todos os importadores da consciência enlatada. Oswald ainda grita, resquícios do nheengatú ecoando ao longe. Nunca admitimos o nascimento de Jeca Tatu entre nós. Só que o Jeca de Lobato resiste. Ele resiste ao Pato Donald, aos Poquemons, ao Raloim, às bruxas do Bush.
O
instinto do Saci. Só Saci. Um Saci contra as histórias do homem que começam no
Cabo Canaveral. A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de
televisão. E os transfusores de sangue. Das veias abertas da América Latina.
Antes dos norte-americanos ocuparem o Brasil, o saci já tinha descoberto a
felicidade. Definida pela sacizidade de um antropófago, o próprio Saci. A
transfiguração da Abóbora em carne seca.
Antropofagia. Absorção do inimigo abóbora.
A
nossa independência já foi proclamada no 7 de Setembro, em São Luís do
Paraitinga. Expulsamos o imperialismo travestido de globalização hegemônica.
Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada em Washington e Londres ,
a realidade sem complexos e sem penitenciárias do saciarcado de Pindorama.
São Luis de Paraitinga, 31 de outubro de 2003, ano da deglutição final da abóbora
Faça parde da SOSACI
09/08/2015
Feliz dia dos Pais, amigos leitores.
Posto aqui, um texto homenagem aos Pais, escrito por nossa colaboradora Tássia Regino.
Queridos
Amigos e Amigas,
Hoje
experimentei uma prova prática de que esta minha condição atual de ler menos faz
a gente menos criativa e diminui o nosso repertório.
Estou
dizendo isto porque ao escolher meu jeito de homenagear o Dia dos Pais, vi que
estou repetindo a inspiração e um autor.
Neste
caso, a inspiração é de novo a Marina, nossa neta, e a dinâmica de seus pais
jovens e o autor repetido é o Antonio Prata (o atual campeão de
compartilhamentos dos meus e-mails! rs rs).
Pensei
em mudar, mas decidi não fazer isso. Gostei tanto dos dois textos que escolhi e
a inspiração vem de alguém que me faz tão bem, que preferi compartilhar com
vocês. Além disso, o segundo autor apareceu poucas vezes por aqui, fazendo que
pelo menos alguma coisa neste email seja inédita! rs rs
Os
textos que escolhi são duas crônicas recentes em que os autores falam da “dureza
e delícia” de ser pai de bebês e de acompanhar “o
desabrochar de pequenos seres humanos feitos com metade dos meus genes e metade
dos genes da mulher amada”, nas palavras do Prata.
Quando
li as duas pensei bastante em Pedro, o Pai da Marina. Na verdade, também pensei
na mãe da Marina: sempre que olho a lida deles eu penso que ainda bem que eles
decidiram ter filho jovens, porque precisa ter muita energia, como mostram os
pais-escritores! rs rs
Na
primeira crônica, engraçada já no título (Dormir É Para Os Fracos), o Antonio
Prata traz o que ele chama “ catorze constatações a partir da paternidade”,
entre elas a de que “antes
de ter filhos, eu era um vagabundo que ficava reclamando, sem razão, de não ter
tempo pra nada”.
Segundo ele, “se
hoje me dessem três meses com o tempo livre que eu tinha há dois anos, eu
conseguiria aprender esperanto, escrever "Anna Karenina” e treinar pro
Ironman”
A
segunda crônica, linda, é do Marcelo Rubens Paiva, que começa dizendo que
“quando
nasceu meu filho, alguém disse: ´É o filé-mignon da vida´”.
E ao final ele conclui: “Não é apenas o filé-mignon. É o rebanho
todo.”
As
duas crônicas são o meu jeito de homenagear todos os pais, de todas as idades,
presentes e ausentes e de dividir com vocês esta homenagem. Espero que vocês
gostem, que celebrem seus pais e os seus amigos-pais e tenham uma ótima semana,
se encontrando com a parte leve da vida!
Abraços a tod@s e parabéns aos que são Pais!
Tássia
PS:
Prá quem quiser ler mais sobre o assunto, saiu um crônica legal do Joao Pereira
Coutinho, Pai aos 40.
DORMIR
É PARA OS FRACOS
Antonio
Prata
Folha
de São Paulo - 19/07/2015 02h00
Catorze
constatações a partir da paternidade: uma crônica de autoajuda para os que
pretendem procriar –ou talvez, mais ainda, para os que não pretendem.
1)
Antes de ter filhos, eu era um vagabundo que ficava reclamando, sem razão, de
não ter tempo pra nada.
2)
Depois de ter filhos, eu sou um pobre diabo que fica reclamando, com razão, de
não ter tempo pra nada. (Se hoje me dessem três meses com o tempo livre que eu
tinha há dois anos, eu conseguiria aprender esperanto, escrever "Anna Karenina"
e treinar pro Ironman).
3)
Se eu tivesse um minuto pra pensar a respeito da paternidade, provavelmente me
daria conta de que estou vivendo um dos momentos mais gloriosos da minha breve
passagem sobre a terra: estou acompanhando o desabrochar de pequenos seres
humanos feitos com metade dos meus genes e metade dos genes da mulher
amada.
4)
Se eu não tenho um minuto pra pensar a respeito da paternidade, é porque estou
exercendo a paternidade, o que significa, entre outras coisas: tentar evitar que
um desses pequenos seres humanos ponha na boca a mão que acabou de meter na
fralda suja de cocô; tentar convencer o outro pequeno ser humano de que não dá
para vermos o caranguejo agora, pois o caranguejo mora em Ubatuba, nós moramos
em São Paulo –e são duas e trinta e sete da manhã. Tais atividades, convenhamos,
deixam pouco espaço para a contemplação.
5)
Felizmente, devido a uma simpática trapaça cognitiva, pregada pela seleção
natural, o cocô dos nossos filhos nos parece muitíssimo menos repulsivo do que
os cocôs do resto da humanidade. (Infelizmente, não a ponto de nos esquecermos
que aquilo na fralda, nas costas, nas pernas ou na mão do pequeno ser humano
continua sendo cocô.)
6)
Depois de ter filhos, os minutos destinados ao próprio cocô se transformam num
raro e beatífico momento de paz, pelo qual os jovens pais anseiam como um monge
por sua meditação.
7)
(Não é incomum pais neófitos simularem dores de barriga para poderem se trancar
no banheiro várias vezes ao dia e: ler rótulo de creme hidratante, dar "like" na
foto do gato da prima, fitar os azulejos num torpor quase místico).
8)
Ninando um bebê, me descubro capaz de executar funções com partes do meu corpo
que, até ter filhos, julgava completamente ineptas. Consigo abrir e fechar uma
maçaneta com o cotovelo –sem fazer barulho. Consigo regular o "dimmer" com a
bunda. Consigo abrir e fechar o mosquiteiro com o nariz. Coço o queixo na
estante de livros, as costas no armário embutido, a testa no prato da samambaia.
Se tiver uma única mão livre, posso fazer o solo de bateria do John Bonham em
"Moby Dick", de trás pra frente –só não faço porque iria acordar o bebê.
9) Antes de ter filhos, eu achava o fim da picada pais que trabalhavam com: babá, biscoito recheado, televisão no carro.
9) Antes de ter filhos, eu achava o fim da picada pais que trabalhavam com: babá, biscoito recheado, televisão no carro.
10)
Hoje, procuro uma folguista pro fim de semana (pago metade do meu salário e dou
meu carro como bonificação), negócio "Só mais uma, já é o terceiro pacote!" e
imploro "Não chora! Olha o filme do Senhor Batata! A Menina Moleca! A Galinha
Pintadinha!".
11)
Galinha Pintadinha é a imagem da Besta.
12)
Galinha Pintadinha é uma bênção divina.
13)
Dormir é para os fracos.
14)
Eu sou fraco.
A
VIDA
Marcelo
Rubens Paiva
Quando
nasceu meu filho, alguém disse: “É o filé-mignon da vida”. Mas
ela fica cada dia mais caótica. Dizem que só “melhora”. O que será
“melhorar”?
Talvez
nos acostumemos. Tomara. Minha mãe teve cinco! Passei a perdoá-la no que
classifico como baixa participação na aflição afetiva dos filhos.
Amanhece.
Passo a viver com meu duplo: o eu e um outro, o eu e o papai. Ele não acordou.
Nem dou a descarga. Não escovo os dentes. Ando pela casa lentamente em silêncio.
Dizem que audição é o sentido mais aprimorado de um bebê. Me acostumei a andar
como um gato, sem esbarrar em nada. Telefones no mudo. Computadores com
alto-falantes em 0%.
Pressa.
É a chance de tomarmos o café da manhã sem precisarmos reparti-lo com o pequeno
e curioso sujeitinho que vive conosco há um ano e meio e, se dermos sorte,
lermos o jornal de cabo a rabo. Artigos longos ficam para “quem
sabe…”
Não
demora. O pequeno cidadão sente o deslocamento de ar da casa. Acorda. Não posso
reclamar. O filho que dorme antes dos pais e acorda depois começa a falar
sozinho no berço, a cantar. E torço para ele continuar se entretendo. Dizem que
melhora a concentração.
Então
escuto: “Pá?” Depois vem a primeira palavra que aprendeu, por culpa minha, que
sussurrava direto no seu ouvido, torcendo para ser a primeira palavra a aprender
(e não deu outra): “Papá?” Interessante como a forma de me chamar é uma
pergunta: “Pá pá?”. Por que quer saber se estou pela redondeza. E se sofisticou:
“Pai?” E virou: “Papaiiii?”
Eu
deveria ter ensinado: “Mamã”. Calma, um segundo. Corro pela casa. Xícaras,
pratos, talheres, copos, telefones, mouses e teclados nos fundos das mesas.
Celular fora do campo de visão. Controles remotos na gaveta. Portas da cozinha e
banheiros fechadas. Eu não sabia que bebês curtiam molhar a mão em privadas.
Todas elas agora têm lacre. Todas as gavetas têm lacre. Checar se todas estão
lacradas.
“Papaiii!?”
Já vai. Checar protetores nas tomadas, carregadores, espuma nas portas. Guardar
pilhas e moedas. A paciência dele se esgota. Então tá… Abro a porta:
bom-dia.
O
quarto escurinho tem aquele cheiro de leite com pomada e sabonete neutro. Ele
está em pé no berço e fica felicíssimo. Me mostra seu brinquedo, um boneco
Piu-Piu gigante, quem tenho que cumprimentar, com quem ele dorme, que na verdade
foi da minha mulher.
Abro
a cortina blecaute. A luz o cega. Sinto aquele bafo matinal. Como uma pequena
criatura pode ter já um bafo tão potente? Tem remela, cabelos amassados, olhos
inchados. Acorda como qualquer adulto. A diferença é que acorda sempre num
colossal bom-humor, como se a vida fosse a melhor coisa do mundo, uma eterna
brincadeira, a descoberta constante, que ele adora.
Acender,
apagar a luz e ligar um ventilador dão a sensação de êxtase pelo poder e
controle de forças invisíveis. Mamadeira, ele aponta. Comer é crucial. Ele anda
pela casa sugando. Estou lendo jornal. Ele aparece ao meu lado, arranca-o numa
velocidade incrível e volta à mamadeira. Peço meu jornal de volta. É uma
negociação educada. Ele devolve e some.
Estar
quieto demais não é salvação, é problema. Alguém vai logo checar. O que ele está
aprontando? Estar quieto é aprontar. Está bebendo shampoo, desenrolando papel
higiênico, tirando livros da estante ou esvaziando a lixeira. “Não pode!” Chora.
Estou
no teclado, ele reaparece, aperta o enter, some meu texto da tela. Ele volta a
mamar e some. Toca o telefone. Atendo. Ele reaparecer, puxa o telefone, que cai
no chão. “Não pode!” Caiu a linha.
Ele
cai no chão. Bateu a cabeça. Chora. É uma média de quatro tombos por dia. Fala
pela casa: “Bru bur u”. “Tá pê-pê-pê”. Faz variações da palavra “meme”. Então
vem: “Papai te? Papa i Uh, dei ber ti… Umaba tuiu”
“Sei”,
repondo, enquanto trabalho. “Ti tá… ti tá… ti tá…”, começa a série de
repetições. Respondo: “Jura?” “Sério?” “Nossa…” Gargalha. E passa a empurrar
coisas pela casa. Me bloqueia com móveis: uma barricada. Tento tomar um café.
Ninguém se lembra onde está a bandeja com as cápsulas, várias vezes derrubada
por ele.
Meu
celular, bobeei, sumiu. Estava carregando. Ele descobre a minha carteira,
desmonta e espalha os cartões de crédito pela casa. Como ele descobriu que
aquilo é tão importante para mim? Claro. Viu papaiiii sacá-la várias vezes e
comprar coisas com aqueles cartões. Se é importante para o papaiii, é para
ele.
E
bacana é brincar com as coisas importantes do papai. Sumiu com meu mouse.
Bobeei. Fico sem trabalhar até encontra-lo. Outro dia, o encontraram na cesta de
roupa suja. Com tudo que é importante para o papai, ele some.
Vai
para a escola, e sinto saudades. Esbarro em brinquedos que começam a tocar
sozinhos. Tem um que faz “uiii!”. Tomo um baita susto e vejo um troço amarelo
piscando no formato de um mini andador que ri de mim. Sem querer atropelo um
ursinho que diz “barriga”, “você é meu amigo”, e pede “me dá um abraço”. Na pia,
tem uma zebra, uma girava e um leão, todos de plástico do mesmo tamanho e
vesgos.
O
moleque volta animado: “Êeeeeeeee”. E cai no chão. Bate a cabeça. Chora. Vem a
jornada de caça aos gatos. O mais velho, paciente, aceita a aproximação. O mais
novo, adotado, cuja infância não sabemos por qual inferno passou, não quer
saber.
Momento
do cadê, “achô”, cadê, “achô”, que dura uns 20 minutos. Pelo corredor, costuma
correr e gritar: “Êeeeeeeee”. Às vezes vou junto gritando o “Ê”. Quando vão
banhá-lo, ele vem peladinho se mostrar. Faz xixi no chão. Só eu e ele achamos
graça. Ele dança sobre o xixi. Só eu e ele rimos. Mostramos o umbigo um para o
outro, o barrigão, batemos no barrigão. Ele escorrega no xixi, cai e
chora.
Anoitece.
Tentamos ver os telejornais. Ele desliga a TV, ligamos, desliga, ligamos, ele a
tira da tomada, desistimos. Há meses não vemos telejornais.
Começa
a coçar os olhinhos. Vamos nanar? Ele faz não com a cabeça. Levo para o berço.
Fico ao seu lado no escuro. Ele sussurra: “Pá-pá… pá-pá…” Deita, fala um
pouquinho, canta baixinho e sussurra: “Pá-pá…” Amanhã tem mais. Não é apenas o
filé-mignon. É o rebanho todo.
Passo
à noite com saudades.
Na
manhã seguinte, fico esperando ele acordar, para recomeçarmos a viver. Para
acha-la uma grande brincadeira.
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