Fora das FMs
Mario Nery, JornalistaDuas horas da manhã. Sábado, São Paulo. No porão.
Um punk, cabelos espetados de gumex e corrente na cintura, dança, pula, esbarrando nas pessoas. A música é do The Smiths, grupo de rock britânico pós-punk. Entre o chão e o teto de cimento cru, o ambiente é quente e esfumaçado, os exaustores não dão conta da circulação de ar. O punk pára de dançar. (Agora toca B-52, conjunto americano new-wave). Ele veste um sobretudo que tinha deixado no chão (é preto e vai até os joelhos) e sai da pista. Entra numa saleta ao lado, decorada com sofás velhos e pneus de caminhão e telas de TV grafitadas, com o nome Estação Madame Satã.
Na pista abarrotada, uma garota, cabelos bem curtos pintados de loiro, dança sozinha com um copo de vodca na mão. O vestido é um canudo preto colado ao corpo, e ela gira sobre ele, sacode as ancas e sorri para os lados, satisfeita com sua performance. Num canto, outra garota, boneca chinesa de quimono vermelho e lábios lilases, dança em movimentos comedidos, delicados, quase cerimoniais, como se ouvisse uma música pentatônica. Mas é o David Bowie que toca.
Outro cara, de cinto com J maiúsculo na fivela, sapato afinado no bico e cabelos alinhados, toma cerveja encostado à parede e assiste às dezenas de pessoas que dançam freneticamente. Com as luzes estroboscópicas relampejando no salão, elas parecem estar eletrizadas, fazendo movimentos que se interrompem com os momentos escuros do flash. Toca um som de Bauhaus, que não se ouve nas FMs. O rock é pulsante, como os flashes do estrobo, como os movimentos das pessoas...
Lá em cima.
Sobre tudo isso está um salão com algumas mesas espalhadas, sofás, um divã e um balcão de bebidas. Há também uma cozinha, onde são preparados sanduíches e lanches. Ela dá saída para um pátio descoberto, também com mesas, que fica cheio quando faz calor.
No salão, o punk da capa subiu, deitou no divã e parece indiferente à movimentação do ambiente. Vários grupos de pessoas conversam, gesticulam, sorriem, dão gargalhadas, e poucas voltam os olhos para cima quando uma mulher que está lá solta um grito forte estridente. Foi a Mulher do Repolho que gritou. Ela fica dentro de uma jaula, todas as noites, comendo repolho. A jaula fica acima da porta de entrada, é uma espécie de micropalco ladeado por colunas de madeira que formam bicos no teto, como os das mesquitas orientais. O grito da mulher é uma intervenção. Impossível não reparar nele. Como também é impossível não sentir nada de diferente neste lugar. A Mulher do Repolho continua comendo lentamente o seu repolho, instigando as pessoas com gestos, caretas e olhares.
Na parede ao lado esquerdo de quem entra, lê-se, em enormes letras de neon vermelho, Madame Satã. O nome é de um personagem legendário do cenário underground carioca dos anos 30 e 40. Negro, valente, malandro e homossexual, Satã era senhor da antiga Lapa. Muitas são as histórias a seu respeito: que era homem nuns dias da semana e mulher noutros, que batia em vinte de uma vez, que era toxicômano e bom cozinheiro.
Pois ele é o "padroeiro" da Estação Madame Satã. Um lugar que não pode ser definido nem como bar nem como danceteria ou boate. Na verdade, Estação caiu-lhe perfeito. Sobre a palavra, diz o dicionário: "Estada ou paragem num lugar; onde param os trens, carros e navios; quadra de ano, temporada, oportunidade; prática religiosa; as quatro estações do ano, etc.".
Pela diversidade de tipos que se encontram no Madame Satã, dá para dizer que lá não só param trens, carros e navios, como também aviões, submarinos, naves espaciais e até mísseis atômicos. Embora seja divulgado por aí como um "lugar punk", ele é freqüentado por nativas das mais diversas tribos sediadas na Paulicéia: punks, ex-hippies, new-wavers, existencialistas, freudianos e jungianos, jornalistas e cineastas, apocalípticos e integrados, galeras dos jardins, da Henrique Schaumann e de Moema, músicos, gays, indefinidos, pobres, ricos e medianos.
Quem freqüenta o Satã há algum tempo afirma que já passou por inúmeras "oportunidades" e viu incontáveis e distintos fenômenos que marcaram várias "estações". Shows de grupos de rock, peças de teatro, exposições de arte, performances interventivas, festas-shows, desfiles e outras coisas mais.
Lá se realizou a primeira leitura ao vivo do poema "Uivo", do poeta beatnik Allen Ginsberg, feita por Claudio Wilier, também poeta e ensaísta. Na mesma época Wilier foi convidado para preparar e prefaciar a edição brasileira de Uivo, Kadish e outros poemas, de Ginsberg.
A "prática religiosa" também se incorpora ao "astral" Madame Satã. A Estação foi inaugurada em outubro de 1983 pelo ator e ex-seminarista Wilson José, que a concebeu como espaço de transgressão, um templo dedicado ao corpo e ao espírito, ao sagrado e ao profano, ao intelecto e às várias manifestações da arte. A inauguração durou um mês, ao longo do qual artistas e intelectuais "batizaram" o templo, consagrando seus diversos espaços a personalidades do mundo artístico e cultural. O poeta Claudio Wilier, por exemplo, dedicou os quatro pontos cardeais da casa a Allen Ginsberg, André Breton, Garcia Lorca e Octávio Paz. Paulo Herculano, músico, padrinho do espaço "porno-erudito", dedicou-o a Dercy Gonçalves e a Décio Pignatari. .A Estação foi ainda apadrinhada por uma mãe-de-santo e por um "Corpo de Bruxos", pessoas ligadas principalmente ao meio teatral e que formaram uma espécie de "conselho consultivo" da casa.
Embora idealizada por atores (além do Mestre de Cerimônia, Wilson, "o Satin", a Estação é também comandada por Willam, artista plástico, Míriam, atriz, e o produtor Zé Cláudio), o Madame Satã, segundo o próprio Wilson, é um antiteatro, que simboliza a ruptura. "Não é um espaço alternativo, mas alterativo. Catalisa todos os desejos e taras de seu tempo."
Na opinião dos punks, o Satã é um dos últimos "potes": "Se ele se quebrar", dizem, "todos ficamos ao relento". Wilson explica que é por esse motivo que eles nunca foram vistos quebrando alguma coisa lá dentro. Para os punks, o Satã também é um templo...
Mas por trás da frase dos punks, dos gritos da Mulher do Repolho, do som que não toca nas FMs, enfim, de tudo o que caracteriza o Madame Satã como um lugar diferente de outros procurados no velho bairro do Bexiga nos fins de semana paulistanos, existe um aspecto fundamental, que atrai a gregos e goianos. é algo que responde a um anseio comum dos diversos grupos de pessoas que por lá aparecem: a possibilidade de cada um se expressar da maneira que quer. Na vida cotidiana, as pessoas são forçadas a vestir a máscara que melhor as ajusta ao meio social, amalgamando características do eu e do outro nessa máscara. Acontece que muitas vezes o outro fica muito mais forte, pesado, e desequilibra o amálgama.
Pois o Madame Satã é o lugar dos descontentes com esse desequilíbrio. é onde cada um tem a possibilidade de usar a máscara com a qual se sente melhor, a mais expressiva de suas fantasias (emprego o termo máscara porque ele representa bem o pique do Satã). E é o componente artístico, origem da ideia Madame Satã, que catalisa essas fantasias. A partir dele se instaurou um espaço aglutinando teatro, dança, música, vídeo-arte, artes plásticas, códigos gestuais, visuais e de comportamento que escapam das FMs, isto é, das Freqüências Moduladas (ou Modeladas) Sociais.
O Satã é uma estação que não sintoniza com a Constituinte. Para Wilson, as adesões a campanhas políticas recentes não passam de "oportunismo de merchandising", sem conseqüências políticas reais. "As pessoas deixam de questionar o próprio rabo para conjecturar sobre o destino da Lua", diz o Satin. "Prefiro festejar o dia da padroeira do Brasil, promovendo uma romaria, a compactuar com o merchandising político."
Mas o pique do Satin ainda vai mais além. Ele redige um fanzine mensal da Estação, com matérias sobre música, cinema, teatro, etc. E recentemente conseguiu que uma gravadora produza um disco com músicas tocadas no Satã.
E daí surge a pergunta: a Estação vai continuar fora das FMs? Wilson diz que sim. Ele reafirma que sua idéia não é montar um esquema de produção alternativo, mas criar uma marca de transgressão. Mesmo que precise de patrocinadores para isso, o Satã não deixará de ser o espaço das mutações, dos eventos únicos, aglutinador "dos desejos e taras do seu tempo". E qualquer que seja o tempo, ou estação, uma coisa é certa: sempre haverá o que ser mudado, transformado, transgredido, pois sempre haverá desejos fora de sintonia.
Luzes estroboscópicas, fumaça e música punk constroem o paraíso de Madame Satã, num porão da Paulicéia.
Seu patrono, e famoso malandro Madame Satã, homossexual e negro que dominava a Lapa carioca.
Canalizando as freqüências fora das ondas, o Madame Satã é um templo que não pode ruir.
Um lugar onde cada um veste e exercita a fantasia que quiser como quiser.
Até quando será possível permanecer fora das FMs? é um desafio que o pessoal do Satã jura que é capaz de encarar.
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03/07/2011
Lembrando a danceteria Madame Satã - 1984
O português correto de Tássia Regino
Recebemos de nossa amiga e colaboradora Tássia Regino, esse texto em torno das discussões sobre a lingua pátria. Divirtam-se
Queridos Amigos e Amigas
Meu assunto deste final de semana é uma polêmica meio passada: o português correto.
Eu sou uma aprendiz do Zé da Luz, um maravilhoso poeta de cordel nordestino, que quando disseram pra ele que prá falar de amor precisava de um português correto, ele fez um lindo poema, chamado o Ai Se Sesse, gravado pelos meus conterrâneos do Cordel do Fogo Encantado, em que ele diz tudo o que precisa, comunica-se maravilhosamente, mas sem usar a língua culta.
Quem é aprendiz desta escola só podia olhar com estranhamento o escarcéu feito em torno do livro "Por uma Vida Melhor", lançado pelo MEC para alunos do curso de Educação de Jovens e Adultos (aqueles que aprenderam a falar, a se comunicar com um mundo e a a ajudar a construir o mundo com o seu trabalho, antes de aprender a norma culta). Por estranhar o escarcéu pesquisei sobre o tema e organizei os pensamentos com o que dizem especialistas sobre o tema.
Mas minha pesquisa ficou guardada até receber um texto divertidíssimo, que acho vai arrancar boas risadas de vocês, porque seguindo a língua culta, se faz uma comunicação totalmente errada, ou no mínimo dúbia. São textos de Avisos de paróquias, afixados na entrada de igrejas, onde se encontra erros graves de escrita e linguagem, não porque erram na concordância, mas porque – diferentemente do Zé da Luz - expressam desacordo entre a mensagem e a intenção. Isso é comum, e bem mais complicado do que um livro didático em que se dialoga sobre o que a língua culta classifica como erro de concordância. Mas para um email de Bom Final de Semana, ele é bem divertido.
Enfim, eu também não li o Livro completo, mas de tudo que ouvi prefiro ficar com o José Miguel Wisnik (que além de compositor e cantor, é professor de Teoria Literária na USP) e com o Pasquale Cipro Neto.
Assim, como mimo de desejo de Bom Final de Semana, selecionei prá vocês: o divertido texto "AVISO AOS PAROQUIANOS"; as lindas canções cantadas em "português errado" pelos meus conterrâneos de Arcoverde, do Cordel do Fogo Encantado e os artigos do José Miguel Wisnik e do Pasquale Cipro Neto, sobre o Livro "Por uma Vida Melhor". Espero que vocês gostem !
Um Abraço e Bom Final de Semana,
Tássia
PS: QUEM QUISER LER MAIS SOBRE O DEBATE EM TORNO DO LIVRO POR UMA VIDA MELHOR, TEM UM DOSSIÊ SOBRE O TEMA NO LINK: http://www.slideshare.net/hugoalbaquercus/dossie-por-uma-vida-melhor
AVISO AOS PAROQUIANOS
Para todos os que tenham filhos e não sabem, temos na paróquia uma área especial para crianças.
Quinta-feira que vem, às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo de mães. Todas as senhoras que desejem formar parte das mães, devem dirigir-se ao escritório do pároco.
Interessados em participar do grupo de planejamento familiar, entrem pela porta de trás.
Na sexta-feira às sete, os meninos do Oratório farão uma representação da obra Hamlet, de Shakespeare, no salão da igreja. Toda a comunidade está convidada para tomar parte nesta tragédia.
Prezadas senhoras, não esqueçam a próxima venda para beneficência. É uma boa ocasião para se livrar das coisas inúteis que há na sua casa. Tragam os seus maridos
Assunto da catequese de hoje: Jesus caminha sobre as águas.
Assunto da catequese de amanhã: Em busca de Jesus.
O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso durante o verão, com o agradecimento de toda a paróquia.
O mês de novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia.
O torneio de basquete das paróquias vai continuar com o jogo da próxima quarta-feira. Venham nos aplaudir, vamos tentar derrotar o Cristo Rei!
O preço do curso sobre Oração e Jejum não inclui a comida.
Por favor, coloquem suas esmolas no envelope, junto com os defuntos que desejem que sejam lembrados.
DONA NORMA
José Miguel Wisnik (professor de Teoria Literária na USP)
O Globo de 21/05/2011
O imbróglio da vez é a discussão sobre o manual de ensino da língua portuguesa distribuído pelo MEC, chamado "Para uma vida melhor", da autoria de Heloisa Ramos. Li na imprensa, vi nos blogs e ouvi no rádio do carro vozes, desde sentenciosas a sardônicas e sarcásticas, dizendo que se tratava de uma descarada proposta de ensino do português pelo método invertido, preconizando o erro de concordância, o desvio sintático e o assalto à gramática. Criticava-se a adoção do "lulês" como idioma oficial da escola brasileira. Leio o capítulo do livro em questão e vejo, no entanto, que a autora se dedica nele, a maior parte do tempo, a mostrar a importância da pontuação, da concordância e da boa ortografia na língua escrita. Onde está o erro?
Bater em teclas equivocadas é quase uma praxe do debate cultural corrente, com ou sem rendimento político imediato. Na verdade, o livro assume, para efeitos pedagógicos, uma noção que se tornou trivial para estudantes de Letras desde pelo menos quando eu entrei no curso, em 1967. Os estudos linguísticos mostravam que a prática das línguas é sujeita a muitas variantes regionais, sociais, e que a chamada "norma culta", preconizada pelos gramáticos, é uma entre outras variantes da língua, não necessariamente a mais, ou a única "correta". Desse ponto de vista, científico e não normativo, procura-se contemplar a multiplicidade das falas, reconhecidas na sua eficácia comunicativa, sem privilegiar um padrão verbal ditado pelos segmentos letrados como único a ser seguido.
Discutirei adiante algumas consequências pedagógicas disso. Mas a que me parece inquestionável, e adotada com propriedade no livro de Heloisa Ramos, é a importância de não se estigmatizar os usos populares da língua, reconhecendo em vez disso a validade do seu funcionamento. É nessa hora que ela dava como exemplo a famigerada frase "Nós pega o peixe", ou, então, "Os menino pega o peixe". A autora não diz que é assim que se deve escrever. Mas também não deprecia a expressão: preconceitos à parte, é preciso reconhecer que no seu uso comum a frase funciona, porque a marca do plural no pronome ou no artigo é suficiente para indicar que a ação é exercida por um conjunto de meninos, e não por um só. Desse ponto de vista, eminentemente pragmático, nenhum erro.
A seguir, no mesmo espírito pragmático, o livro afirma claramente a importância de que a escola promova o domínio da norma culta, ligado à língua escrita, justificado pela sua necessidade em situações específicas (aqui virá a minha discordância). Dá exemplos de como corrigir um texto mal escrito, mostrando, dentro dos melhores critérios, como ele deve ganhar coesão interna, articulação sintática, clareza nos seus recortes (pontuação) e seguir os critérios ortográficos.
A grita contra o livro, por aqueles que, imagino, não o leram, é uma estridente confirmação, em primeiro lugar, daquilo que o próprio livro diz e, em segundo lugar, daquilo que ele não diz, mas que deveria dizer.
Afirmar cegamente, com alarme e com alarde, que o livro é um atentado, tornado oficial, à língua portuguesa, pelo respeito localizado que ele dá às variantes populares de fala que não usam extensivamente as flexões, isto é, as normas letradas de concordância, é um sintoma ignorante e disseminado de que se concebe a língua como um instrumento de prestígio, de privilégio e de poder.
Mais que isso, a defesa exaltada e capciosa da suposta correção linguística, desconsiderando todo o resto, é uma desbragada demonstração de ignorância em nome da denúncia da sua perpetuação. Culta, neste caso, é de uma incultura cavalar. O tom desinformado e espalhafatoso da denúncia encobre, mal, aquilo de que ele tenta fugir: o nosso analfabetismo crônico, difuso, contagiante.
Hélio Schwartsman, em compensação, assim como Cristovão Tezza no programa de Monica Waldvogel, disseram coisas importantes e equilibradas. Hélio lembra que a passagem do latim às línguas românicas, o português incluído, só se deu graças às províncias que passaram a falar um latim tecnicamente estropiado, sem as suas declinações clássicas. Sem essa dinâmica e o correspondente afrouxamento flexional, estaríamos até hoje falando latim e usando as cinco declinações.
O inglês, por sua vez, é muito menos flexional que o português. A frase "the boys get the fish", por exemplo, que funciona perfeitamente para marcar o plural, é, do ponto de vista estrutural, uma espécie de "nós pega o peixe" institucionalizado.
O horizonte do pragmatismo é o que me parece estreito, no entanto, no livro do MEC. O domínio da norma culta é justificado, nele, para que o falante tenha "mais uma variedade" linguística à sua disposição, para que não sofra preconceito, para que se desincumba em situações formais que assim o exigem. É muito pouco. A norma culta não é nem um mero adereço de classe nem apenas uma variedade à disposição do aluno para ele usar diante de autoridades ou para preencher requerimentos. A educação pela língua não pode ser pensada apenas como um instrumento de adaptação às contingências. A escrita é um equipamento universal de apuro lógico, que está embutido na estrutura de uma língua dada. Mergulhar nela e nas exigências que lhe são inerentes é um processo de autoconsciência e um salto mental de grandes consequências.
Não se pode fazer por menos. Além de "Para uma vida melhor", tem que ser também "Para uma vida maior". Bater em teclas equivocadas é quase uma praxe do debate cultural corrente.
José Miguel Soares Wisnik é professor de Teoria Literária na USP.
O QUE DISCUTIR SOBRE O POLÊMICO LIVRO?
Pasquale Cipro Neto (Folha de S.Paulo – 26/05/2011 )
Definitivamente, não se pode dizer que esse livro "ensina errado". O cerne da questão é outro
Em 1988, eleita prefeita de São Paulo, a professora Luiza Erundina nomeou Paulo Freire secretário da Educação do município. Antes de assumir, o consagrado educador disse mais ou menos isto: "A criança terá uma escola na qual a sua linguagem seja respeitada (...) Uma escola em que a criança aprenda a sintaxe dominante, mas sem desprezo pela sua (...) Precisamos respeitar a sua sintaxe mostrando que sua linguagem é bonita e gostosa, às vezes é mais bonita que a minha. E, mostrando tudo isso, dizer a ele: "Mas para tua própria vida tu precisas dizer a gente chegou em vez de dizer a gente cheguemos". Isto é diferente, a abordagem é diferente. É assim que queremos trabalhar, com abertura, mas dizendo a verdade".
A declaração de Freire causou barulho semelhante ao que causou (e ainda causa) o livro "Por uma Vida Melhor", em que se mostram fatos relativos às variações linguísticas. Nele, dá-se como exemplo de norma popular a frase "Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado". Dado o exemplo, explica-se isto: "O fato de haver a palavra os (plural) indica que se trata de mais de um livro. Na variedade popular, basta que esse primeiro termo esteja no plural para indicar mais de um referente". O livro prossegue: "Reescrevendo a frase no padrão culto da língua, teremos: "Os livros ilustrados mais interessantes estão emprestados". Você pode estar se perguntando: "Mas eu posso falar 'os livro'?" Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico".
Há uma certa contradição na explicação, já que na frase popular a forma verbal ("estão") está no plural. Nessa variedade, o que se usa é "tá".
O caso abordado no livro é tecnicamente chamado de "plural redundante". Tradução: na forma culta ("Os livros ilustrados mais interessantes estão emprestados"), todos os elementos que se referem a "livros" (núcleo do sujeito) estão no plural (os, ilustrados, interessantes, estão, emprestados). É assim que funciona a norma culta do espanhol, do português, do italiano e do francês, por exemplo. Em francês, o plural redundante se dá essencialmente na escrita; na fala, singular e plural muitas vezes se igualam.
Em inglês, pluraliza-se o substantivo; o artigo, o possessivo e o adjetivo são fixos (na escrita e na fala). Quanto ao verbo, a terceira do singular do presente é diferente das demais pessoas em 99,99% dos casos; no pretérito e no futuro, há apenas uma forma para todas as pessoas.
O fato é que a ausência do plural redundante não se restringe à variedade popular do português do Brasil. Também é fato que, apesar de algumas afirmações pueris (""Mas eu posso falar "os livro'?" Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico"), em nenhum momento o livro nega a existência da norma culta, como também não se nega a mostrá-la e ensiná-la. Há vários exercícios em que se pede a passagem da norma popular para a culta.
Definitivamente, não se pode dizer que o livro "ensina errado". O cerne da questão é outro. O que expliquei sobre o exemplo do livro é assunto da linguística, que, grosso modo, pode ser definida como "estudo da linguagem e dos princípios gerais de funcionamento e evolução das línguas" ("Aulete"). A linguística não discute como deve ser; discute como é, como funciona. O que parece cabível discutir é se princípios de linguística devem ser abordados num livro que não se destina a alunos de letras, em que a linguística é disciplina essencial. Esse é o verdadeiro debate. Não faltam opiniões fortes dos dois lados. É isso.
02/07/2011
Os porquês ?
Toda a vez que leio algo que indica o caminho para resolução dos problemas do Brasil, mesmo que muitas vezes com atitudes isoladas, me sinto na obrigação de compartilhar minha alegria. Tomara que n vezes eu venha postar sobre essas ações, tais como mostradas no post abaixo.
Olhai por eles - título do editorial do Diário do Grande ABC
EDITORIAL
Olhai por eles
Foram 16 anos sob uma moradia precária, temendo temporais, deslizamentos, tragédias. Foram 16 anos convivendo com esgoto a céu aberto, ratos, baratas e outros insetos peçonhentos a colocar em perigo a saúde de todos, principalmente das crianças, que não têm noção dos males e adoram caminhar descalças, brincar em água suja, deitar e rolar em solo contaminado.
Os abrigados nos núcleos do Sítio Bom Jesus, Alvarenga Peixoto, Divinéia, Pantanal 1 e 2 e Jardim Ipê agora dizem adeus a cenário tão insalubre.
Parte já vive momentos de êxtase. Alegria tal qual um grande prêmio da Mega-Sena. Enfim, a municipalidade olha para essa gente e proporciona moradia digna. Dezesseis anos de sofrimento agora são apenas tristes lembranças. Agora é vida nova.
É obrigação dos governos, sejam eles municipais, estaduais e federal, proporcionar a quem a sorte não sorriu condições de morar com dignidade. É obrigação, mas nem todos assim o fazem. Erguem bandeiras de habitação, Saúde, Educação, mas o discurso costuma ficar só nas campanhas eleitorais.
Mas, quando o discurso vira realidade é para aplaudir. O governo Luiz Marinho pode ter muitos problemas, dissabores, não ter 100% da aprovação popular, mas, sejamos justos, a administração de São Bernardo tem feito gols de placa ao acelerar as obras de moradia popular.
Não deve haver vergonha maior para um governante do que ter seu povo mais humilde tratado como nos tempos da escravidão, entulhado em senzalas abafadas, desconfortáveis, com sanitários primitivos e em espaço diminuto, precário e perigoso. O pombal negro existiu entre os séculos 16 e 19. Estamos no século 21.
Um governo se mede pela grandeza com que olha e cuida de seu povo.
01/07/2011
Matéria do Jornal diário do Grande ABC
Famílias realizam sonho e ocupam a casa própria
Bruna Gonçalves
Do Diário do Grande ABC
Até segunda-feira, 224 famílias vão trocar uma vida de quase nada pela casa própria no Conjunto Habitacional Três Marias, em São Bernardo. Elas deixam para trás problemas como medo de enchentes, deslizamentos, esgoto a céu aberto e, em alguns casos, o de conviver com o aluguel.
Uma dessas famílias é a da doméstica Sara Maria Salazar Ferreira, 43 anos, que após viver 16 em um alojamento no Jardim Ipê vai poder dormir sossegada no seu novo lar, de 42 m².
"Colocaram a gente para morar lá (abrigo) por seis meses, mas acabamos ficando 16 anos. Era uma situação desumana. Sempre ouvíamos promessas, mas nada acontecia. Foi quando vimos as obras que começamos a acreditar", disse Sara, que viveu em dois cômodos e um banheiro.
Além de não ter mais a preocupação com a chuva, ela ressaltou a importância de ter endereço fixo. "Não vou precisar mais dar orientações para explicar como chegar até minha casa", comentou a doméstica, que é a síndica do bloco, enquanto arrumava os móveis e as caixas.
Quem compartilha da felicidade de ter a casa própria é a doméstica Geane Martins, 41, que há pelo menos seis anos vivia do renda aluguel no bairro Assunção. "Morava há 16 anos no Jardim Ipê quando nos tiraram de lá. Sempre tive esperança em conseguir minha casa própria, e a hora chegou."
Agora, ela faz planos para mobiliar o apartamento. "Estou economizando para colocarmos piso, azulejo e fazer a pintura."
A filha Nicole Santos da Silva, 8, está ansiosa para dormir no seu quarto. Ela e a mãe dormiam juntas na casa em que viviam. "Quero que seja da cor rosa", disse a menina.
ANSIEDADE - A dona de casa Viviane Pereira Santos, 21, estava tão ansiosa para o grande dia, que passou a noite terminando de arrumar as coisas para a mudança. Há quatro anos vive de aluguel, após deixar sua residência no Jardim Ipê. "Quando saí de lá estava grávida. Em uma das enchentes a água chegou quase até a cintura. Agora vou poder criar o meu filho sem preocupação", afirmou Viviane, mãe de Bruno, 4.
Além do Jardim Ipê, os novos moradores do conjunto são oriundos do Sítio Bom Jesus, Alvarenga Peixoto, Divinéia, Pantanal I e II.
Já foram entregues 448 das 1.236 unidades habitacionais da área, que serão finalizadas até 2012. Até o fim do mês, devem ser entregues mais 80 apartamentos. O investimento é de R$ 71 milhões, sendo R$ 57 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento e o restante contrapartida da administração.
O prefeito Luiz Marinho (PT) acompanhou parte das mudanças, ontem, e frisou a importância de solucionar o problema habitacional. "Se não há diagnóstico, não tem como planejar investimentos e ações. A administração atual deve entregar 5.260 unidades até o fim de 2012", lembrou Marinho. Acrescentou que devem ter cerca de 4.000 famílias no renda abrigo.
26/06/2011
GRAZIANO É O NOVO DIRETOR-GERAL DA FAO
Carta Maior - O portal da esquerda

Candidato brasileiro vence o adversário espanhol por 92 votos a 88. Brasil conquista seu primeiro posto de importancia entre as organizações internacionais. Graziano era o candidato dos países pobres que lutam contra o subdesenvolvimento e o domínio neocolonial na América Latina e África. Minutos antes da votação, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, elogiou o candidato espanhol Miguel Anges Moratinos, porta-voz da Europa e dos interesses do Norte. A vitória brasileira reposiciona o papel da FAO na política internacional. O que se espera agora é que um organismo renovado passe a ecoar os interesses Sul-Sul, sobretudo. . . Leia + na CartaMaior
22/06/2011
Seleção para 75 mil bolsas começa no próximo semestre | Os Amigos do Brasil
Seleção para 75 mil bolsas começa no próximo semestre | Os Amigos do Brasil
Do texto pincei essa boa notícia:
. . .
“Elite dos estudantes brasileiros”
César Camacho, diretor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada destacou que a Obmep ajudou os alunos da rede pública a se posicionarem entre a “elite dos estudantes brasileiros”. Ele afirmou que há dois anos, somente alunos da rede particular representavam o Brasil em competições no exterior. Segundo Camacho, em 2011 três dos seis alunos a representarem o Brasil na Olimpíada Internacional de Matemática, que ocorre em julho na Holanda, são provenientes da rede pública. “É uma elite de estudantes que se receber o devido poderá colaborar significativamente para o futuro do País”, afirmou.
21/06/2011
Ariano Suassuna em São Bernardo do Campo - via Tássia Regino
Nossa amiga e colaboradora Tássia Regino, nos escreve sobre a "Aula-Espetáculo" do Ariano Suassuna :
Estas semanas estão tão cheias de assunto que foi difícil escolher um !
Escolhi, então, o que mais me divertiu, embora saiba que nem de longe vou conseguir levar a vocês o humor do autor ao vivo e a cores. E o que mais me divertiu foi uma aula-espetáculo do Ariano Suassuna, promovida pela Prefeitura de São Bernardo do Campo nesta quarta, dia 15, um dia antes do seu aniversário 16/06.
A aula-espetáculo é uma invenção do Ariano, com o objetivo de divulgar e defender a cultura brasileira, em especial a do nordeste. Acima de tudo, é uma aula de humor e cultura, de um jeito de falar de coisas importantes com simplicidade e sabedoria. Falando sobre as andanças para apresentar a Aula, ele diz que: “a razão manda a gente ficar em casa. É sonho que leva a gente prá frente”.
O eixo central da Aula é a defesa da relevância do Brasil e de sua cultura. Cultura que ele diz que é “a sede da honra e da identidade de um país”. Ele diz que quando era jovem o povo brasileiro tinha mania de achar que era um povo de quarta categoria. E felizmente agora isto está mudando. E diz que “o que acha mais bonito no Brasil é essa unidade na diversidade”. Ele diz que Deus sabia o que estava fazendo quando fez ele nascer no Brasil. "Eu nunca sai do Brasil. Só saio se o governo me botar para fora. Lá, vou virar gringo. E o pior, ficar sendo olhado por um monte de gringo, que não fala português”.
Estruturada em temas do seu interesse, a aula vai de Política a Música, de Lady Gaga e Calypso, passando pelas polêmicas que ele vem sustentando ao longo de sua rica vida. Como ele, nas palavras dele mesmo, só sabe falar por ‘arrodeio' (que a expressão pernambucana que significa dar volta), cada um destes temas vem ilustrado por um saboroso “causo”.
A aula é permeada por um sentimento que está contido em uma parte de uma entrevista dele ao Almanaque da TAM, que eu guardei. Perguntado se ele se considera otimista em relação ao futuro do País, ele respondeu: “Estou perfeitamente consciente da distância entre meus sonhos - e o de todos nós - e a realidade. Sou um escritor que vê o mundo através de emblemas. Acho que o dever de todos nós, escritores brasileiros, é colocar, mesmo que a realidade seja dura e cruenta, um sonho mais belo e alto que possa mover o povo. Porque se perdermos a esperança, não há caminho para nós.
Adorei, e acho que este foi um sentimento de todos que estavam lá também, porque as palmas e as risadas eram sinais inequívocos (o Ariano pede sinais !).
Prá compartilhar com vocês registrei algumas das tiradas mais inspiradas, trouxe o 1º artigo da série que ele publicou na Folha, em que ele traz um pouco do que lhe move nas aulas e dois poemas (um que ele traz sob forma de poema sua interessante tese sobre a morte e outro que fala do amor e da mulher).
Mas como sabia que não ia conseguir reproduzir a aula, pesquisei muito e encontrei um link para outra Aula Espetáculo, a que ele deu no SESC Vila Maria na , que tem muitas coisas da Aula São Bernardo. Recomendo: http://versoeprosa.ning.com/video/aula-espetaculo-com-ariano
Espero que vocês gostem do Ariano e tenham uma ótima semana !
Abraços
Tássia
Um link para ver Ariano
14/06/2011
Engano e injustiça, por excesso de delicadeza
Originalmente publicado no Blog da Dilma
Link : BLOG DA DILMA: Engano e injustiça, por excesso de delicadeza

Link : BLOG DA DILMA: Engano e injustiça, por excesso de delicadeza
Na admirável democracia brasileira, as pessoas podem falar o que bem entenderem e até elogiar quem não fez por merecer. A presidenta Dilma fez elogios a FHC pelos seus 80 anos. Ótimo, ela exerceu o seu direito de cidadã e agiu como uma estadista, afinal é a presidenta do Brasil. Mas a presidenta Dilma cometeu um engano e uma injustiça: o responsável pelo plano Real e pela estabilidade econômica – que não foi duradoura, pois no segundo mandato de FHC a estabilidade foi para o brejo – foi Itamar Franco. FHC se apossou indevidamente do plano Real para se eleger e reeleger, após ter comprado parlamentares para aprovar a reeleição. FHC foi astuto, seguindo o mantra e as diretrizes cínicas de Sérgio Motta. A idéia do PSDB era se manter no poder por 20 anos. Como a democracia brasileira é admirável, eu ouso continuar discordando da presidenta Dilma. FHC foi um político nefasto, entregou o Brasil ao capital estrangeiro com privatizações escusas, deixou 54 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, (IBGE 2002). Foi responsável por um desemprego recorde, o povo não tinha crédito e o FMI mandava e desmandava na nossa economia. FHC governou para as elites, para os banqueiros. O Proer dos Bancos foi uma vergonha. Os juros eram estratosféricos, o crescimento do país era pífio e o aumento da carga tributária no governo FHC deu um salto fantástico. O arrocho salarial era uma dura realidade, o salário mínimo de FHC era vergonhoso. O povo não tinha crédito, educação, moradia, saneamento básico, saúde. O INSS era uma loucura, um caos de filas intermináveis. Não existia o SAMU, não existia o Bolsa Família, não existia o PROUNI, o Luz para Todos. Na era FHC o povo era marginalizado, deixado à própria sorte. O PSDB irá fazer uso nefasto desses elogios equivocados da presidenta Dilma, mas o povo sabe o pão amassado pelo diabo que comeu na era FHC, do PSDB. E além do mais FHC não será candidato novamente. FHC deixou uma herança maldita para o governo Lula, que soube como ninguém reverter a situação caótica em que se encontravam o país e o povo brasileiro. O Brasil mudou para muito melhor com Lula, e Dilma vai continuar as mudanças necessárias dando continuidade ao governo Lula.
Jussara Seixas
04/06/2011
Mordaça ou responsabilidade?
Publicado em 04-Jun-2011 no Blog do Zé

O projetode lei aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara no início da semana – que tipifica como crime o vazamento e a divulgação de dados sigilosos – tem sido tratado em vários jornais. E já recebeu por parte da imprensa o nome de “lei da mordaça”. O texto original da proposta é do deputado Sandro Mabel e a sua relatoria é do deputado Maurício Quintella Lessa, ambos do PR.
O projeto considera criminosa a divulgação de informações sobre investigações sigilosas e criminoso quem as passou adiante. Pelo texto original, apenas o agente público seria penalizado. Mas, no texto do relator, além dos funcionários públicos que vazam informações, também sofreriam punições os jornalistas envolvidos na divulgação de dados protegidos pelo segredo de Justiça.
A questão merece reflexão. De um lado estão o direito à privacidade do cidadão e ao segredo de Justiça. Do outro, o dever do jornalista de informar à sociedade assuntos de interesse público. Os dois campos, aparentemente contraditórios, atestam a urgente necessidade de uma regulamentação das leis de imprensa no país. A lacuna deixada por um marco legal que defina papéis e responsabilidade dos agentes envolvidos cria um ambiente de insegurança e propício a desvios. Quem perde é sempre o elo mais fraco. É fundamental contarmos com uma lei que garanta aos jornalistas o exercício de seu ofício e o dever de informar, mas que, ao mesmo tempo, chame os órgãos de imprensa à responsabilidade ética.
É evidente que o país não quer censura. A luta é pela democratização da comunicação e liberdade da informação. Contudo, toda e qualquer publicação deve ser responsável pelo que veicula. Hoje, ao contrário, tornou-se corriqueiro o uso do princípio de liberdade de expressão como escudo para todo tipo de prática, sem compromisso com o interesse público.
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